05/07/2015
por Douglas Vasquez
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Faz um tempo que eu não posto resenhas por aqui, né?  Eu e a minha mania de procrastinar as coisas que eu tenho pra fazer, eu tenho uma visão de como quero que o post fique e acabo adiando as fotos que eu devo tirar para o post. Tem tanta resenha acumulada que dá pra ter conteúdo até Agosto! Essa resenha é acompanhada da minha opinião sobre a adaptação para o cinema, que não ficou tão ruim, maaaas vamos ao que interessa, né nom?

Até onde você iria para conseguir o que deseja? É a frase que estampa a capa jacket e resume muito bem a essência da história do livro. O romance gótico (juro que isso tá na contra-capa! rs) acontece por volta dos anos 60 e 70 e é totalmente narrado em primeira pessoa, pelo “personagem principal” por assim dizer, Jack James. O livro não é dividido e capítulos, Jack conta a história através de momentos e durante o começo, principalmente, fala bastante sobre o passado de sua família e a cidade onde vive.

Na história, Jack é um garoto que foi expulso da faculdade onde tinha uma bolsa por natação por causa um surto que teve – não vou dizer o motivo do surto, por que é um dos momentos mais interessantes da história – e teve que voltar para a sua cidade natal e trabalhar para o pai, o dono de um jornal muito importante, como entregador de jornais. Ele tem um irmão mais velho, Ward James, o qual venera por boa parte da história. Ward seguiu os passos do pai e se tornou um jornalista investigativo no jornal mais importante de Miami, o Miami Times.

Ward e seu parceiro Yardley Acheman (um cara que não tá nem aí para a história e só quer saber do dinheiro que vai ganhar e da fama que vai conseguir) são contatados pela quarentona Charlotte Bless, uma mulher atraente e maluca que se relaciona com criminosos presos na cadeia, porém, que alega estar apaixonada pelo maníaco da cidade, Hilary Van Wetter, um homem acusado de assassinar o xerife (que era super racista) e aguarda a sentença de morte, e está decidida a provar a sua inocência para casar-se com ele que lhe vem correspondendo por cartas. Jack fica então encarregado de levar os três para todos os lugares necessários durante toda a investigação.

Durante o percurso, Jack se apaixona por Charlotte loucamente, mas ela não tem olhos para o rapaz, que tem idade para ser o seu filho – e falamos de uma época em que as coisas eram muito menos liberais. Ele se torna obsessivo em conquistá-la a qualquer custo e por conta disso acaba se envolvendo em toda a investigação. A história também mostra o despertar de Jack a respeito de seu irmão, que se tornaram ainda mais unidos conforme as investigações acontecem, quando em uma visita a uma cidade em busca de provas, Ward se envolve sexualmente com dois marinheiros e apanha abusivamente, fazendo-0 perder um olho. A partir de então, Jack continua fazendo de tudo para proteger o irmão, mas não o vê mais como o homem perfeito que costumava acreditar ser.

“A minha intenção era salvar Charlotte Bless de se afogar no mar (…)
Mas eu mal conseguia levá-la para a água.”

Os três conseguem libertar Van Wetter, o artigo para o jornal se torna um sucesso e Jack surta por um momento, fugindo de sua realidade (o pai viúvo está se casando novamente com uma mulher que apenas o quer pelo dinheiro e a empregada da casa, que sempre foi como uma mãe para ele, é demitida) e foge para Miami, onde acaba trabalhando na redação do mesmo jornal que Ward. A partir daí, a história se torna muito maia sombria, pois o autor explora os lados escuros dos personagens, como bebida, sexualidade, mentiras e violência.

A história tem um fim bastante trágico e obscuro para todos os personagens, incluindo algumas mortes, mostrando fielmente que não existem pessoas intactas, seja lá o tiver acontecido com elas.

The Paperboy” (2012), com Zac Efron como Jack, Nicole Kidman como Charlotte e Matthew McConaughey como Ward no elenco e traz uma adaptação bem fraca de um livro com uma história que tem muito a oferecer. Nele, o foco ficou basicamente no romance desenvolvido por Jack e Charlotte, deixando de lado o real sentido de toda a história em busca da verdade. Apesar das cenas terem sido bastante fiéis e muita coisa do livro ter permanecido no filme, o mesmo teve algumas alterações bastante significativas e ao invés da história ser narrada por Jack, ela parte do ponto de vista da empregada e a cena do Jack sendo queimado pelas águas vivas toma um rumo diferente também. O final do filme manteve as mortes do livro, porém com de uma forma totalmente diferente – acreditem, é um final totalmente novo  – e muito mais trágica do que a contada por Pete Dexter.

Apesar disso tudo, eu recomendo muito a leitura do livro, principalmente pra quem cursa Jornalismo (como eu), pois para a minha surpresa, a história trata muito mais sobre isso do que sobre um romance (gótico) e o filme é um bom complemento para quem estiver a fim de ver pelo menos um pouco do que foi imaginado. Foi uma leitura que eu gostei bastante, essa edição me custou apenas R$ 9,00 na Americanas e ela vem com uma jacket com capa diferente do livro original e com o título em português. O cuidado da editora é muito bom e fiquei feliz por encontrar um livro que eu queria muito ler por um preço muito baixo. Valeu, Novo Conceito! 😉

Tem mais fotos do livro lá no meu Flickr!

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