06/01/2015
por Douglas Vasquez
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Já é o terceiro dia do novo ano e ainda parece que nada mudou. Eu fiz a minha resolução de ano novo, queimei tudo o que queria deixar para trás e fiz o pedido quando deu meia-noite e os fogos começaram a brilhar no céu. Mas mesmo assim, tudo parece do mesmo jeito. Intocado.

Eu tento entrar naquela onda clichê de todos os anos em contar as primeiras coisas do ano; primeiro café do ano, primeira música do ano, primeiro sorriso do ano. Mas que diferença faz? Absolutamente nada. Zero. As nuvens deslizam lentamente pelo céu, através da minha janela eu as vejo. Fecho os olhos e peço com toda a força de vontade que consigo que me tragam algo novo este ano.

Não sou o tipo de pessoa que liga para qual cor de roupa está usando na véspera, quando “tudo muda” e zeramos a vida, como se deixássemos algo para trás. É claro que já fui assim, de acreditar que roupa branca me trará paz e a vermelha, amor. A gente cresce, né? Deixa de acreditar em algumas coisas e deseja do fundo do coração que funcionem outras. Precisamos nos agarrar a algo, ter um ponto de segurança a qual culpar se nada der certo.

Sei que as mudanças dependem de mim, e só de mim apenas. Para ter algo que nunca tive preciso fazer algo que nunca fiz. Mas aqui não vai nada bem. Quem me vê pensa que é apenas cansaço, aliás, eu digo que é só cansaço. Não é. Dentro de mim ainda parece estar tudo em pedaços, de tamanhos irregulares e bastante afiados, espetando o que ousa os encostar. Eu ouso os encostar e dói. Ingenuidade acreditar que escrever algo num papel e queimá-lo quando o relógio marcou seu ápice iria consertar alguma coisa.

Agora estou aqui, vendo as nuvens passar. Elas não tem forma – ou eu pelo menos não vejo nenhuma. É tudo muito neutro. Como se o tempo tivesse parado, mas ao mesmo tempo estivesse correndo em seu próprio ritmo. Sinto o pulsar do meu sangue em minhas veias e obrigo-me a chorar. É difícil e por um momento não sai nada. Mas por que estou chorando? Não sei. Pra expulsar toda a dor causada pelas picadas dos cacos dentro de mim, talvez? Pra tentar tirar da minha garganta o que a sufoca. É um bom motivo. Tento pensar positivo, porém simplesmente não sou esse tipo de pessoa. Quero ser.

As lágrimas que saíram no meu maior esforço logo secam com a brisa fraca de verão, que vêm da minha janela aberta. Eu as deixo naturalmente, o esforço foi inútil. O pulsar ainda é constante. Fecho os olhos e adormeço. Espero por dias mais felizes. Espero que eu me surpreenda neste ano, não que o destino me traga algo novo, mas que eu me obrigue à buscá-lo. Sei que essas palavras irão sumir com o vento e estarei novamente em algum dos 365 dias deitado olhando as nuvens passarem, sentindo a brisa que entra pela janela.

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