10/11/2016
por Douglas Vasquez
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NERVE, 2016 | JEANNE RYAN | OUTRO PLANETA | 304 PÁGINAS | ISBN 978-85-422-0787-3

De alguns anos para cá, venho acompanhando a carreira da atriz Emma Roberts. Sou apaixonado por ela e alguns de seus filmes estão nas minhas listas de favoritos, vez ou outra sempre estou procurando algum trabalho novo dela para assistir. O dia em que conheci “NERVE” foi mais ou menos assim.

Vi o trailer do filme em uma tarde e o impacto foi instantâneo. Marquei em meu calendário o dia em que ele iria estrear nos Estados Unidos e logo depois fui atrás de informações sobre a sua exibição aqui no Brasil. Fiquei aliviado quando vi que o longa viria para cá pouco tempo depois. YAY, vou poder ver tudo isso na tela do cinema, foi o que pensei. Depois de ver o filme, corri para a livraria mais próxima (oi, Saraiva) e comprei o livro. Simples e sem arrependimentos.

O livro conta a história de Venus (Emma Roberts), uma adolescente do ensino médio que está sempre nos bastidores e nunca em frente aos holofotes. Sua melhor amiga é Sydney (Emily Meade), a garota popular e estrela do musical Romeu e Julieta do colégio. Vee é responsável pela maquiagem do elenco e pela função de puxar as cortinas em todas as apresentações e em uma delas, conhece o jogo online NERVE. Recentemente ela passou por um trauma “acidental” que quase tirou a sua vida e deixou seus pais muito mais protetores do que já eram antes.

“Apesar do ódio que passei a sentir por esse jogo, estou curiosa. O NERVE sempre acerta com coisas que eu quero muito.” 

Na adaptação para o filme a história é contada de forma diferente, tendo apenas os personagens e o tópico central da trama sido mantida. Vee é fotógrafa e seu irmão mais velho faleceu pouco tempo antes. Agora, vive apenas com a sua mãe (o paradeiro do pai não é explicado), uma médica que vive ocupada e passa pouco tempo em casa com a filha. Ali, Sydney é uma líder de torcida muito popular que já está jogando NERVE (no livro ela não joga e por isso fica com inveja da amiga por ter o feito antes dela) e desafia Vee a se colocar fora de sua zona de conforto.

Nos dois, a premissa do jogo é a mesma: Observador ou Jogador? Os Jogadores cumprem desafios feitos pelos Observadores e a organização do jogo, com o objetivo de testar os seus limites, culminando em um ranking que levará os dois melhores de cada cidade à uma final ao vivo. Os Observadores por sua vez tem a função de assistir os seus favoritos, criando servidores independentes para sustentar a brincadeira toda. Voltando para a trama do livro, Vee toma a decisão de participar do jogo após ouvir de todos os seus colegas que não é uma garota divertida ou corajosa, embora seu melhor amigos Tommy (Miles Heizer <3) a persuadir do contrário. Em seu primeiro desafio, Vee conhece Ian (Dave Franco), um rapaz um pouco mais velho que ela e muito misterioso. Apesar disso, ela se une a ele em uma parceria que eleva seus pontos no jogo.

Na história de Jeanne Ryan, a cada desafio completado os participantes ganham presentes — coisas que colocaram em suas listas de desejo em lojas online; no filme, os prêmios são em quantias de dinheiro depositadas em suas contas bancárias.

“É difícil acreditar que pouco antes eu estava deprimida atrás de uma cortina empoeirada vendo minha melhor amiga me esfaquear pelas costas. E agora? Prêmios, diversão e dinheiro, talvez. Adoro esse jogo.”

O livro e o filme embora carreguem histórias distintas, são igualmente muito bons. Em nenhum momento eu me peguei pensando que um era melhor do que o outro, ou que tal coisa deveria ser de uma forma ou de outra. Os desafios do longa acompanham o tom digital e futurista do filme, o que em alguns momentos, torna a crítica social da história original um pouco mais leve e divertida.

A narrativa da autora é surpreendentemente cativante e me prendeu de imediato, logo nos primeiros capítulos. Conforme a aventura de Vee e Ian avançam e nos aprofundamos em diversas camadas da personalidade dos dois personagens, começamos a entender o buraco negro em que os dois se meteram. Dois estranhos, apaixonados, que decidem depositar toda a sua confiança um no outro e em um jogo controlado por pessoas que nunca viram na vida.

Em ambas as histórias Ian tem um passado complicado, mas ainda assim, Vee é a grande heroína no final das contas. A garota frágil que não estava confortável na situação em que a sua vida estava encontra forças em suas próprias atitudes ao se aventurar e confiar nos próprios instintos. A Vee do filme se vê em uma situação de prisioneira ao chegar no clímax do filme e mesmo tendo que contar com a ajuda de seus amigos para colocar seu plano de fuga em prática, não demonstra mais a insegurança que estava estampada no início do filme. Já a Vee do livro se dá conta de que está em uma situação de vida ou morte quando tem que vivenciar seu maior trauma pela segunda vez e percebe que para sobreviver não precisa ninguém mais além dela mesma.

“Somos os atores nessa produção doentia. Os observadores, essa escória, podem estar em qualquer lugar do mundo, bebendo, fazendo apostas e torcendo por sangue.”

Após toda a aventura, que acontece durante apenas uma noite de sexta-feira, acaba deixando uma pulga atrás da orelha do leitor — e da própria Vee. A autora ao ser questionada sobre uma possível continuação disse que não pretende escreve-la. Essa foi a pior parte de toda a minha jornada com Nerve: saber que tudo se limita a apenas um livro.

O que me incomodou no filme foi o fato dos roteiristas colocarem Vee e Sydney uma contra a outra em uma disputa de poder. Enquanto no livro a briga entre as garotas é apenas um dos desafios e logo depois é resolvido, no longa a premissa toda é a de uma provando para a outra que consegue ir cada vez mais longe. Então, é claro que colocar duas personagens femininas para brigarem por bobagem colocou contra tudo o que o feminista aqui acredita e defende.

A trilha sonora do filme é maravilhosa e durante toda a duração eu dei pulinhos de alegria toda vez que alguma música tocava para complementar as cenas. A própria Vee no filme é bastante adepta do streaming, o que cria uma uma sincronia bacana com quem está assistindo. No Spotify oficial do produtor da score, Rob Simonsen, tem uma playlist com todos os efeitos de fundo utilizados para construir o mundo digital do NERVE. Um outro usuário de lá também criou uma playlist maravilhosa com as músicas que foram tocadas e elas incluem Halsey, Melanie Martinez, MØ e muitos outros, ouça aqui.

ARE YOU A WATCHER OR A PLAYER?

Lionsgate emma roberts dave franco nerve

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