12/04/2015
por Colunista Convidado
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3PONTO2

Um oi clichê.
Bom, pessoal, meu nome é João Luis, tenho 17 anos, e sou de Campinas, uma das maiores cidades do pequeno-enorme São Paulo. Vou escrever toda semana, de início aos domingo, mas isso pode variar. Vou procurar a falar mais sobre livros, mas vou trazer, também, resenhas de filmes e CDs, porém, como meu estilo favorito é o pop, vou evitar, porque nem todos gostam. Enfim, leitores… Vou começar falando sobre o livro que li nestes últimos dias:

Nome: Dois garotos se beijando
Autor: David Levithan
Ano: 2015
Edição: 1
Editora: Galera Record
Páginas: 222

David Levithan é um ator de best-sellers YA (young-adult, ou jovem-adulto), e vem ganhando espaço no meu coração a cada livro que leio dele. O primeiro livro que li dele foi Will e Will, e só li porque a obra fora escrita em parceria com o John Green (aquele das estrelas), o que acaba sendo irônico, pois considero, hoje, David melhor do que John (eu deveria apoiar meu xará?). Este é meu quarto livro dele, sendo o terceiro com temática gay.

DOIS GAROTOS SE BEIJANDO, como é explícito na capa, aborda sobre a temática homossexual. Apesar do nome sugerir que o livro inteiro será sobre dois garotos se beijando – o que, na realidade, não seria bem uma mentira -, Levithan faz você se aventurar na história de mais meia dúzia de garotos que vivem a adolescência com intensidade.

“[…] aprendemos que sorte na verdade faz parte de uma equação invisível.”

Apesar do livro ter sido publicado apenas neste mês em território nacional, DGSB existe desde 2013, e o que David gostaria de fazer era provocar polêmica para tratar normalmente de um assunto que ainda é tabu para muitos. Então, a capa provocativa, com dois meninos se beijando e  que irônico, não? – o nome ser auto-descritivo, o objetivo de chamar a atenção atingiu as expectativas, e é por esse e mil outros motivos que este livro foi tão bem criticado.

A história narra a vida de 8 meninos, todos gays. Os da capa chamam-se Harry e Craig, e se você está pensando que eles são namorados, está enganado: são ex namorados e, atualmente, melhores amigos. Por causa de Craig, que ainda não é assumido – enquanto os pais de Harry o apoiam, incentivando-o a ser quem quer ser -, eles decidem quebrar o recorde de beijo mais demorado do mundo, para entrarem no Guinness Book. Craig tem essa ideia porque quer provar a todos que beijar alguém é natural, não importa o(s) sexo(s) dos envolvidos. Portanto, para o beijo, fazem uma transmissão online, e o mundo todo acaba vendo.

 

“A liberdade não é só uma questão de votar e casar e beijar na rua, embora todas essas coisas sejam importantes. A liberdade também é uma questão do que você vai se permitir fazer.”

 

Tariq é amigo do casal-de-amigos, e os ajudam com a divulgação do beijo, com a transmissão ao vivo para o mundo todos, com músicas para as mais de 30 horas do beijo, para animá-los, além de ser o único que não desgruda dos dois, porque quer realizar isso com eles mesmo sem estar ali, beijando. Tariq é um adolescente comum, mas com marcas de trauma, por ter apanhado uns meses antes do evento, por um grupo de babacas meninos, simplesmente pelo fato de ser gay. É interessante ver o beijo dos amigos pela sua perspectiva, porque ao mesmo tempo em que está feliz pelos amigos, tem medo dos fracotes valentões chegarem ali, para estragar tudo.

Nesse meio tempo, conhecemos Avery e Ryan, um casal que também está se conhecendo, após se encontrarem num baile gay da cidade de Ryan. Prefiro classificá-los como o casal rebelde da história, porque não é qualquer casal que é composto por uma pessoa de cabelo rosa, e outra de cabelo azul, nénon? Pois bem. Este casal possui um dos casos mais “polêmicos” (no mundo de hoje, isso ainda existe? sim) da trama: Avery é uma menina que nasceu no corpo de um menino, e, como se sente muito mal com o corpo, imagina que Ryan o vê de forma esquisita. Em contrapartida, Ryan morre de medo de apresentar alguém para os amigos, e, consequentemente, os inimigos descobrirem; não quer sofrer e se sentir humilhado na frente do seu novo amor.

 

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Casais se conhecem, e casais continuam se conhecendo. Eis que surge o melhoremaisincrivelmenteperfeito casal que se aguenta há um ano: Peter e Neil. Nesta parte, Levithan nos mostra que um casal pode continuar vivendo intensamente como se fosse a primeira vez, depois de repetirem a história mais de 365 vezes, a todo o momento. O ciúmes continua, os medos, os defeitos, as qualidades, os acertos, o amor. Ambos são assumidos, mas a família de Neil tenta evitar o assunto, como se fosse possível excluir um pedaço da vida do integrante de uma família e tudo continuar sendo normal. O trama de Neil é fazer com que seus pais o aceitem, enquanto sua irmã mais nova o ama como é. Este casal é um clichê que todos gostariam de ter eeuachoqueéporissoqueeugosteitantoassimdeles, então eu torcia o tempo todo para chegar na parte deles.

Por fim, mas – definitivamente – não menos importante, temos Cooper. Parecendo um adolescente comum, daqueles que passa a noite jogando videogame e dormindo durante a tarde, nos é mostrado que sua vida gira em torno de aplicativos gays para conversar com caras de qualquer lugar. Cooper busca a felicidade, e acha que ali, nas conversas com caras que só pensam em sexo, vai conseguir. Infelizmente, tudo o que consegue é desgraça: seu pai descobre que é gay, e começa a bater nele. Só para porque Cooper foge com o que está vestido, e não volta para casa. Após encontrar um cara que conheceu virtualmente, em busca de um sexo mal-sucedido, Cooper decide apagar esses aplicativos e toda a vida virtual, pois acredita que nem ali encontrará felicidade. Em lugar nenhum.

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O mais interessante dessa união – aparentemente confusa, mas que, eu juro, acaba se unindo (descubra como lendo) – é que David deixa uma marca única neste livro: além das mais de duzentas páginas não possuírem mais do que um capítulo, ela é contada por – aparentemente – um fantasma, de um homem gay que morreu há um tempo atrás, vítima do preconceito por causa de sua sexualidade. O homem, que não possui nome revelado, dá conselhos durante todo o tempo, que serveriam para os meninos, mas que obviamente eles não podem ouvir. (ah, jura, João?)

Não consigo classificar este livro como romance, aventura, ou livro de auto-ajuda. Levithan nos traz tantas frases para guardarmos no coração e na mente para a vida toda, que é impossível não se envolver tanto na história a ponto de acreditar que ela foi feita pra você, e cada personagem é um pedaço do quebra-cabeça que forma cada um de nós.

Recomendo este livro para todos aqueles que precisam de ajuda, de um passatempo, de um livro chocante, e/ou de algo para te divertir lendo. É uma leitura bem simples e fácil, e olha que sou bem fresco pra leitura: gosto de livros com letra não-muito-grande-e-nem-muito-pequena, além de exigir livros em papel off-white (aquele amarelo desbotado). Ele está por um preço especial – menos de 20 reais! – na Saraiva e na Amazon Brasil.

 

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É isso, gente, até semana que vem.

Um tchau clichê.

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