23/08/2015
por Douglas Vasquez
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Seu coração pertencia a alguém que não podia ficar

Estava absorta pelo som do seu riso enquanto ele jogava todos os travesseiros que encontrava em cima da cama em mim. Eu não havia me dado conta do quanto podia ser divertido colocar tudo para trás e apenas me jogar no momento, eu não fazia ideia de que ainda podíamos nos divertir dessa maneira, mesmo depois de tudo o que passamos juntos.

Ele está vestindo uma camiseta branca e jeans apertados, claro, é bem típico dele. “Senti a sua falta”, disse ele, passando as mãos em seus cabelos longos, colocando-os para trás. “Sabe que eu não conseguia parar de pensar em você, né?”, ele se joga em minha cama enquanto me encara com aqueles olhos verdes. Ele sabe o que faz e nunca perde o jeito. Eu escolho ignorar suas perguntas e apenas concordo com a cabeça, jogando todos os travesseiros de volta para ele. “Eu deveria mandar você embora, agora”, digo quando termino indo em direção ao meu celular que está conectado à pequena caixa de som “Mas por algum motivo, eu só quero focar no momento”, concluo.

Ele se levanta imediatamente quando a música que coloquei começa a tocar, é a nossa música, aquela. Fecho os olhos e me deixo levar pelo som. A sensação é ótima e não me preocupo com a forma que pareço. Nós já terminamos várias vezes, é verdade e por motivos muito mais banais do que você imagina, mas por algum motivo, nós nunca saímos de moda. Talvez eu esteja soando despretensiosamente, mas não nego, gosto da forma como parecemos juntos.

Seus passos são totalmente desajeitados e eu me pego o observando enquanto danço. Também senti a sua falta, sinto a vontade de dizer à ele, mas não posso. Vejo seu casaco jogado perto da minha cama e instintivamente o pego e visto-o. Não é muito grande e seu cheiro é exatamente como eu me lembrava, ou até melhor. Ele sorri pra mim e eu poderia jurar que as cores ficaram mais vivas, sinto um explosão dentro de mim. Ele me leva nas alturas. É assim que devemos nos sentir quando estamos apaixonados, certo?

Fiquei relutante no começo, quando ele chegou até a minha porta confirmando tudo o que eu havia ouvido pela boca de outras pessoas, mas isso não me deixou chateada. Talvez um pouco. Já fazia um bom tempo desde a última vez em que nos falamos. É um círculo vicioso, ele sempre volta para mim e eu sempre volto para ele. Ao invés de fechar a porta em sua cara eu o deixei entrar – e subir para o meu quarto – o som de sua voz combina perfeitamente com esse lugar.

Quando a música atinge o ápice, ele imita os sons da guitarra e faz gestos como se estivesse tocando no topo do mundo. Eu vejo tudo em câmera lenta, a maneira como meu corpo se mexe conforme as batidas da música, os movimentos do meu vestido que fluem com o meu corpo e de relance posso me ver no espelho, por um minuto, é como se nada tivesse mudado. E durante esses sessenta segundos eu desejo que nada mude entre nós, nem as brigas ou a maneira idiota como ele se comporta apenas para me fazer rir, momentos como esse.

Eu não me arrependo de nada e sei que ele também não. Mesmo sabendo que ele irá embora na manhã seguinte.

(PS: O melhor clipe da era toda)

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