20/12/2016
por Douglas Vasquez
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Você já ouviu falar do poder do X? Alexandra Ashley Hughes é Allie X e o “X” em seu nome é uma variável matemática que significa o desconhecido; uma maneira muito conveniente de representar sua persona, pois a canadense procura revelar muito pouco de sua vida pessoal por acreditar que sua música deva falar por si mesma. Allie é misteriosa e discreta, ainda assim intrigante e fascinante. Apesar de sua idade ser de domínio público, sempre se refere à ela como “vinte-alguma-coisa”.

Sua carreira começou por volta de 2006, aos 21 anos, cantando em programas de talento no Canadá quando ainda atendia por Allie Hughes, mas foi apenas após a incrível “CATCH“, seu single de estreia, que as coisas começaram a ficar interessantes e aderiu o X em seu nome artístico.

Katy Perry descobriu a faixa no Soundcloud logo na época em que Allie estava procurando uma plataforma para lançar suas músicas e com um simples tweet, dizendo que “Catch” era seu “SPRING-JAM”, atraiu diversos fãs de música pop interessados em entender mais sobre a moça. <3 Thanks, Mom!

My hands are tied behind my back. I’m paralyzed, my heart attacks. It seemed to me you were the one, turns out you shot me up for fun. Thought you got away with murder, left me at a loss for the words. Just wait until I catch my breath.

Mesmo tendo seu rosto revelado no videoclipe de estreia, Allie ainda se sente desconfortável revelando partes de seu corpo, geralmente sendo vista em público com óculos de sol extravagantes ou com peças e manifestações artísticas cobrindo seu rosto, como na capa de seu primeiro EP, CollXtion I.

Falando nele, ainda que o X seja representado no meio do nome, a pronúncia correta é “collection”, de coleção. Ele é o primeiro de uma série que Allie pretende lançar com músicas que representam uma experiência multimídia com recursos musicais e visuais para que seus fãs criem suas próprias artes, simbolizando o que o X representa para eles. O primeiro foi lançado em 2015, contém oito músicas e Allie já adiantou que o segundo está a caminho. Inclusive, durante todo o ano de 2016 ela esteve compondo e produzindo as músicas que farão parte da segunda coleção. Lançando no Spotify semanalmente uma ou duas demos, aos fãs atribuiu o desafio de a ajudarem a escolher qual música deveria ser finalizada e lançada no CollXtion II; o projeto foi chamado de “ɄNSOLVED“.

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Por seu talento como compositora, Allie tem co-escrito músicas com diversos cantores em Los Angeles. Seu trabalho mais notável até então foi com Troye Sivan, tendo ajudado a compor 7 das 10 músicas de seu álbum debut, Blue Neighbourhood, entre elas o smash hit “Youth”.

Em pouco tempo, Allie X se tornou uma das melhores cantoras de synth-pop da atualidade. Suas músicas transitam por temas bastante relacionáveis. A ensolarada “Hello” fala sobre a descoberta de uma nova paixão após ter desistido do amor e aceitado que ele nunca a encontraria. Desse sentimento, “Sanctuary” ainda bebe da mesma fonte, falando sobre sempre procurar seu amor como um abrigo quando tudo parece perdido. “Prime” e “Good“, embora musicalmente sejam diferentes, abordam o mesmo tema; a primeira, animada e festiva, fala sobre juventude e a dificuldade em aceitar o que se vê no espelho e a segunda é mais obscura, faz alusão a depressão e suicídio pelos mesmos motivos. Em todas as suas música, Allie utiliza metáforas e termos médicos para explicar um certo tipo de sentimento, é em “Tumor” que o assunto é mais explícito. Ela compara um relacionamento que já se tornou tão ruim e grotesco com um tipo de tumor, do qual ela precisará de uma cirurgia para tira-lo de seu corpo. Vale a pena destacar as incríveis “Never Enough” e “CATCH” e fingir que não existe a música mais sem graça de seu repertório (mas é amadíssima pela fanbase por algum motivo que eu ainda não entendi), “Bitch“.

If I win the race, will I get the prize? Will I see your face when I close my eyes? When I touched the flame, felt the warning signs. Wish that I had known. Love is… never nough.

FEELING X WITH ALLIE X

No início de Dezembro Allie esteve no Brasil e fez dois shows gratuitos em São Paulo. A cantora se divertiu conhecendo a cultura brasileira, se apaixonou pela música (seus favoritos foram Jaloo, Karol Conká e Ludimilla, as duas últimas aliás, ela fez questão de aprender a letra das músicas hahaha) e mostrou uma vontade enorme de poder voltar com novos trabalhos surpresa pela quantidade de fãs que encontrou no país.

Já posso dizer que me arrependi amargamente de só dar uma chance para o seu som depois disso tudo?

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07/12/2016
por Douglas Vasquez
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Precisamos falar sobre “Skam“. Como o louco das séries que todos vocês sabem que sou, quase toda semana eu estou assistindo alguma nova. Mesmo assim, não é sempre que uma série me deixa tão obcecado a ponto de implorar para que os meus amigos assistam também para que eu possa ter alguém com quem falar sobre e compartilhar um pouco a maluquice.

Skam é uma série de drama norueguesa que em pouco mais de um ano se tornou uma das mais assistidas do país. Sendo de um país onde a língua materna não é o inglês e consequentemente os personagens falem norueguês, depende muito da qualidade da série para que ela se torne um hit, como está acontecendo com Skam ao redor do mundo. Às vezes me sinto ouvindo uma sequência ilógica de sons ao invés de palavras, o que me faz prestar muito mais atenção nas legendas e assim no que está acontecendo na série. Mas acredite, vale a pena! Vou te dar 7 motivos para assistir, mas antes, vou explicar:

A série conta o dia a dia de jovens adolescentes que vivem em Oslo, a capital da Noruega, enquanto descobrem as facetas das próprias personalidades e como lidar com as consequências de suas ações. Até aí, nada novo. O jogo vira, quando a série começa a abordar temas que estão diretamente ligados à vida real, ao mesmo tempo que mescla a ficção com a realidade ao utilizar as redes sociais. A série começou em 2015, mas já coleciona 3 temporadas e cada uma delas é centrada em 1 personagem específico. Vamos aos motivos?

SE MANTÉM PRÓXIMA A REALIDADE 

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Enquanto outras séries adolescentes, como as diversas versões de Skins (que por um período da minha vida amei muito), fantasiam e saturam demais problemas da idade, Skam trata de assuntos muito mais relacionáveis com a vida real em situações e de formas mais possíveis de acontecerem com qualquer jovem no mundo. Até agora, em três temporadas Skam já falou sobre: Relacionamentos (Eva), Violência (Noora) e Sexualidade (Isak), e em todas elas, sempre prioriza o auto-descobrimento mesmo que também aborde outros assuntos para aprofundar a história.

USA REDES SOCIAIS COMO NENHUMA OUTRA SÉRIE

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Seria esse o futuro das séries de televisão? Os personagens da série utilizam as redes sociais como toda pessoa no século 21 e o grande trunfo do canal, foi trazer tudo isso para a realidade. Durante a semana que antecede o próximo episódio, clipes curtos dos personagens são liberados no site oficial da série no exato horário em que eles acontecem, assim como também são postados prints de suas mensagens para complementarem o enredo do episódio que anda irá ao ar. Todos os personagens tem perfis no Instagram que são atualizados de acordo com a storyline da série, como se as fotos fossem realmente postadas por eles. Legal, né?

DISCUTE A REPRESENTAÇÃO LGBTQ+

Na temporada atual, Isak está debatendo com a descoberta de que é um jovem homossexual. Apesar de nenhum de seus amigos terem problema com isso e inclusive, desde a primeira temporada darem sugestões de que isso seria abordado no futuro, ele encontra em sua segunda família o apoio necessário para assumir sua verdadeira identidade enquanto se aventura nas camadas do primeiro amor. O casal Evak (Isak + Even) já se tornou o favorito dos fãs e a temporada, a mais aclamada até agora.

LIDA COM TÓPICOS PROFUNDOS E IMPORTANTES

Pegando carona no anterior, descobrimos que Even, personagem da terceira temporada, sofre de bipolaridade. A abordagem acontece de forma tão natural que é um choque para nós da mesma forma que é para os personagens envolvidos. Nas temporadas anteriores, Noora teve que lidar com a dúvida do que fazer no caso de um abuso sexual enquanto era oprimida por um abusador psicológicamente manipulativo. Skam também aproveitou para falar, de forma mais sutil, sobre religião (Sana, é islâmica e está sempre usando o seu hijabe), distúrbios alimentares, estereótipos, feminismo e padrões sociais para homens e mulheres.

ENSINA A AGIR EM SITUAÇÕES PESADAS

A série mostra seus personagens passarem por problemas não muito discutidos e considerados tabus na sociedade e dessa forma, ensina qual é a maneira mais segura para se agir nos casos citados. Quando Noora acorda nua em uma cama ao lado de um rapaz e uma garota, após ter tido um apagão na festa da noite anterior, ela tem que lidar com a dúvida de ter sido ou não sexualmente violentada e por alguns episódios sofre ataques de pânico ao ser ameaçada pelo abusador em ter fotos tiradas sem o seu consentimento divulgadas. Quando conta para suas amigas, após alguns dias trancada no quarto sem conseguir enfrentar o que há do lado de fora, elas a levam imediatamente à um médico e logo após à polícia, sendo a primeira atitude a ser tomada em um caso como esse. Na primeira temporada, Vilde é levada pelas melhores amigas ao ginecologista antes de ter a primeira relação sexual e Eva tem que lidar com seus problemas de confiança, quando uma traição coloca seu namoro com Jonas em jogo.

ESTÁ TUDO ONLINE

Outra grande jogada da NRK, o canal que produz Skam, foi a de upar todos os episódios em seu site oficial de graça, dando a oportunidade dos fãs de replicarem o mesmo com legendas em outras línguas. A série tem poucos episódios e em sua maioria não ultrapassam de meia hora, pode ser assistida na íntegra aqui, caso você fale norueguês fluente, ou nesse site, comandado por fãs que traduzem tudo.

O FANDOM É COMO UM ABRAÇO QUENTINHO

De todos os fandoms das séries que eu me tornei fã, o de Skam é um dos melhores. A série está totalmente em uma língua nada popular no mundo e todos os fãs se unem para de alguma forma, seja com apoio moral ou sincronização das legendas, para disponibilizarem os episódios para o maior número de pessoas possíveis, replicando incontáveis vezes os arquivos em diversos servidores diferentes. A paixão em comum é tão grande e tão positiva, que fui recebido como se já fosse de casa e todos os posts e fanarts são como um daqueles abraços apertados que tocam lá no coração.

A série tem se tornado tão popular que foi parabenizada pela polícia norueguesa pela forma inteligente com que trata de tópicos tão importantes. Skam tem episódios novos todas as sextas e é legendado poucas horas depois. Fique de olho nas redes sociais (o Tumblr é o point da fã base) para não perder nenhuma atualização em tempo real.

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14/11/2016
por Douglas Vasquez
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Quando Sabrina Carpenter entrou na cena musical com o seu até então tímido disco de esteia, “Eyes Wide Open” (2015), ninguém imaginou que a loirinha fosse encontrar a sua voz tão cedo e criar um som tão coerente e explosivo logo de cara. Em “EVOLution“, segundo disco de sua carreira com a Hollywood Records, Sabrina mostra que sua voz é capaz de mais do que o country pop que havia nos entregue no ano passado e apresenta uma gama de maturidade e consistência que só tem a melhorar em seus próximos trabalhos.

No início do ano, Sabrina lançou a inedita “Smoke and Fire” como parte do seu novo trabalho e logo ali a mudança de sonoridade ficou evidente. A música, que acabou não entrando para a tracklist do disco, foi o suficiente para chamar mais atenção à seu trabalho e lhe rendeu diversas participações em programas de televisão nos Estados Unidos, sendo então o seu passe para ser oficialmente considerada a cantora pop que a atual geração do Disney Channel precisava, em tempos em que o canal já não emplaca mais seus artistas como antigamente.

“Arte produz emoção, emoção produz mudança e mudança produção evolução.”

O primeiro single da nova era é “On Porpuse“, a música, que também abre o disco, começa de maneira tímida, apenas voz e piano e aos poucos, cresce até alcançar o seu refrão explosivo, e nos apresenta à nova sonoridade pop de Sabrina. A letra é afiada, assim como a grande maioria do disco e busca no tropical house, que tanto ouvimos neste ano, um pouco de influência para torná-la um pouco mais dançante. A fórmula é repetida de certa forma na música que segue, “Love Feels Like Loneliness“. A balada flerta com o tropical house e abusa de alguns efeitos magnéticos, enquanto sobe criando uma sensação de raiva e mágoa.

Em “Thumbs“, Sabrina critica a forma que a sociedade não quebra o seu ciclo vicioso, onde todo mundo é igual a todo mundo e em sua maioria, segue da mesma forma por décadas e décadas. A canção é uma das melhores de sua carreira e uma boa aposta para as pistas de dança, abusando muito do eletro pop, levanta o ânimo do disco.

No Words” é uma das minhas favoritas até então. A música, é mais uma que busca influências no flerte do pop com o tropical house para compor o seu ritmo e a aposta de criar essa ligação entre as canções do disco funciona. A letra, foi composta em parceria com Ido Zmishlany e também produzida por ele. Segundo a cantora em um dos shows da Evolution Tour, sua primeira turnê como artista principal, é uma canção apaixonada que referencia ao sexo.

“As costelas são a prisão de um coração selvagem, posso sentir o seu batendo entre  as barras.”

A primeira real balada do álbum é “Run and Hide“, a música apresenta apenas a voz de Sabrina com uma guitarra elétrica no fundo. A canção, apesar do teor romântico, nada se assemelha com seus trabalhos passados e abrange uma grande maturidade vocal sendo a primeira parada para respirar antes de voltarmos para a pista de dança. “Eu quero ser amada, não quero ter que fugir e não quero me esconder mais”, canta.

Mirage” é outra grande canção pop no disco que também bebe da fonte do tropical house. Na letra, Sabrina questiona a si mesma se fama é real o ou apenas uma miragem. Miragem pode ser definida como uma ilusão de alguma forma, onde ela fica em dúvida se todos em Hollywood à sua volta estão vivendo “a cena” escondidos sob uma máscara. “Cada rosto é um holograma. Somos todos pegos em um sonho e todos se fingem de inocentes, é tudo parte do negócio.”

Quando você imagina que o álbum não pode ficar melhor, temos a poderosa “Don’t Want It Back” que de certa forma, não chega tímida como as outras, mas também cresce conforme se aproxima do refrão. “Quando está tudo sob ataque, você tem o meu coração e eu não o quero de volta”, ela canta envolta a batidas sintéticas e estalares de dedos. A canção segura em si o poder de levar Sabrina à outros níveis em sua carreira e à rádios nacionais e internacionais, com um grande potencial à single.

Shadows” é a segunda balada do disco que já chega em sua reta final. Mais uma vez provando o seu potencial vocal, Sabrina nos entrega uma canção nostálgica sobre se entregar ao amor e não ter medo de estar com alguém por seus erros no passado, sua sonoridade flerta com o R&B em alguns momentos. A penúltima canção do disco é “Space“, uma música pop daquelas que a gente coloca os fones de ouvido no meio da noite e dança como se ninguém estivesse vendo. Nela, Sabrina implora por espaço em um relacionamento que está a sufocando: “Preciso experimentar um pouco de liberdade, preciso de um pouco de espaço para respirar, mas sei que você está me observando. Você está logo ali me observando.”

Para encerrar o álbum, “All We Have Is Love” é uma canção pop saudosista e gloriosa recheada de ganchos e batidas sintetizadas. Sabrina canta sobre celebrar o que mais importa, que em sua concepção jovem, é o amor. O tom profundo e emocional marca um ponto final de uma história que foi contada milhões de vezes, mas para ela, é apenas a primeira vez. Ela encerra “EVOLution” celebrando uma grande jornada de sentimentos adolescentes, como paixão e relacionamentos que ora parecem incríveis e infinitos e ora parecem o fim do mundo sem perder o brilho e otimismo, sabendo que tudo muda e tudo evolui.

No fim das contas, faz sentido não vermos “Smoke and Fire” no disco. Uma música de transição, onde embora seja dominantemente pop do início ao fim, ainda é possível encontrar referências do country que pudemos ouvir em sua estreia, não fazendo sentido e nem coesão com a proposta que Sabrina buscou experimentar trazer nas dez faixas do “EVOLution”. É impressionante ver a grande evolução musical de uma artista de dezessete anos para o cenário pop, se a compararmos com outras estrelas da Disney quando tinham a mesma idade, como Miley Cyrus e Selena Gomez; uma maturidade dentro da cena que só foi alcançado alguns anos depois, quando deixaram a gravadora do canal infantil.

Sabrina está fazendo o seu caminho na indústria pop de forma brilhante e inteligente e mal posso esperar por o que virá a seguir.

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