22/07/2017
por Douglas Vasquez
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Nem tudo são flores na indústria da música, isso não é novidade. De chefões das gravadoras à produtores sacanas, o meio fonográfico não é um ambiente particularmente saudável para jovens artistas, e a busca pela liberdade de expressão em seus trabalhos musicais é uma batalha recorrente por muitos deles. Com a americana Sky Ferreira não foi nada diferente.

Sim, você leu o nome dela certinho! Sky é filha de um pai brasileiro e uma mãe portuguesa – por isso o seu sobrenome tão “tupiniquim” – e apesar da familiaridade com a nossa cultura e língua, ela foi criada por sua avó nos Estados Unidos. A cantora nasceu em Los Angeles e desde o início de sua vida transita pelo meio artístico; sua avó era uma das personal stylists do rei do pop, Michael Jackson e ela cresceu convivendo com o cantor na casa dele. Quando tinha treze anos, Michael incentivou a pequena Sky a se matricular em aulas de ópera para aprimorar seu canto lírico e desde então, cantar se tornou a válvula de escape da cantora.

A personalidade de Sky sempre foi bastante indomável. Aos quatorze anos ela saiu da escola ao assinar o contrato de gravação com uma grande gravadora, a EMI, sob a promessa de uma alta liberdade criativa. Ferreira não sabia na época, mas ficou os seis anos seguintes refém de um contrato que a impedia de lançar seu álbum de estreia.

A ideia dos figurões da EMI era a de que ela deveria ser a próxima Britney (quem já ouviu essa história um milhão de vezes?) e tentaram moldar o som que a cantora colocaria no mundo. Aos quinze, o debut da cantora havia sido adiado diversas vezes e muitos singles foram lançados na tentativa de emplacar um sucesso na música pop – o disco passou por muitas fases e gêneros, e também teve muitos nomes, de “Wild at Heart” à “I Am Not Alright” até que teve seu orçamento cortado em mais da metade, implicando com que Sky investisse seu próprio dinheiro no lançamento dele.

Precedendo o disco, uma versão vazada de “Everything is Embarrassing” obrigou a gravadora a soltar um EP, que no fim das contas salvou momentaneamente a carreira da Sky do náufrago iminente. “Ghost EP“, de 2012, é uma compilação de cinco músicas que explicitamente mostram a mudança sonora que seu álbum sofreu durante seis anos e também representa um “ponto final” em toda a batalha que ela teve com a EMI, sendo então lançado pela Capitol Records. Com dois singles, “Everything” foi surpreendentemente aclamado pela crítica, sendo considerado pelo The New York Times uma das jóias mais preciosas da música pop daquele ano.

Night Time, My Time” é o debut tão aguardado da cantora, lançado em Outubro de 2013. O disco explora diferentes gêneros musicais – um reflexo de seus quase sete anos em produção – do synth pop ao rock acústico, as faixas fazem parte metaforicamente de uma grande conversa em busca da própria liberdade musical, e de uma forma geral pode ser classificado como pop-rock com um pé no rock progressista dos anos 1980. O aclamado site musical, Pitchfork, em sua resenha chamou o disco de “uma das mais interessantes peças de pop-rock lançadas em 2013” e ainda declarou ser “um alívio e também um choque, que o álbum tenha finalmente sido lançado”.

“É porque você sabe o meu nome?”, canta Sky em “I Blame Myself”, música que faz referência à fama e sua reputação de garota problema em Hollywood. Durante todo o processo de produção do álbum, Sky enfrentou sérios problemas de imagem que vão de socialite mimada à sua prisão por porte de LSD em 2013, há até quem acredite que sua gravadora assinou com Halsey para moldá-la na artista pop genérica que Sky se recusou em ser. Sky discretamente acusou a semelhança entre seu clipe para “Night Time, My Time” com o de estreia de Halsey, “Ghost”, o que alimentou mais ainda toda a teoria. “Você acha que me conhece tão bem! (…) Só quero que você entenda, que eu me culpo, pela minha reputação”, canta.

Entre a coleção de músicas no disco, as que se destacam facilmente são “You’re Not The One”, música que foi o primeiro single do álbum e incorpora influências de David Bowie e aposta nos elementos de percussão e guitarra elétrica para o instrumental, enquanto Sky investe nos vocais que lembram os trabalhos musicais de bandas de indie rock do final dos anos ’80, “24 Hours” (minha pessoal favorita), que bebe bastante da sonoridade do gênero synth-pop e traz um instrumental mais nostálgico e upbeat, “Heavy Metal Heart” e “I Will“, abusam das guitarras elétricas e das batidas da bateria entrelaçadas aos vocais mais acústicos de Sky, dando a impressão de que as músicas foram gravadas ao vivo, em apenas um take, além das já citadas, “I Blame Myself” e “Nigh Time, My Time”.

A capa do álbum apresenta uma Sky com o olhar desafiador, nua embaixo do chuveiro de um banheiro verde, o que, claro, gerou muita controvérsia e foi censurada em diversos países – inclusive no Brasil, onde parte da imagem foi coberta por um adesivo com o nome do disco. Sky foi fotografada pelo argentino Gaspar Noé, que deu a ela total liberdade criativa no ensaio. “A maior parte das pessoas que tiveram um problema com a capa foram homens. (…) Estou criando arte e fazendo algo autêntico ao meu trabalho, e é isso o que importa”, declarou na época para a revista NME.

Entre tantos altos e baixos, Sky ainda abriu a Bangerz Tour de Miley Cyrus e teve tempo de dar uma passada pelo Brasil, onde participou do programa do Danilo Gentili, que foi altamente criticado internacionalmente pelas perguntas sexistas e humor ácido do programa. Quando citada no Twitter pela publicação DIY, Sky agradeceu por terem notado o assédio e ainda comentou: “Eu não estava esperando isso e no início achei que fosse tipo uma barreira de linguagem, mas durante a entrevista eu me toquei. Com certeza, não foi a primeira vez que tive que lidar com isso”, o vídeo da entrevista está disponível no Youtube e dá pra notar explicitamente nos primeiros minutos em como a cantora ficou constrangida com as perguntas.

Atualmente, Sky está trabalhando em seu segundo disco e coincidentemente temos a sensação de dèjá-vu. Anunciado com o título de “Masochism“, ela vem entrando e saindo do estúdio com diversos produtores e tendo que investir seu próprio dinheiro na produção do álbum, pela falta de apoio da gravadora. Em 2015, uma versão demo da música “Guardian”, parte do segundo álbum, caiu na internet após Sky soltar vários snippets da canção em seu Instagram e anunciar que um vídeo para ela seria gravado assim que possível. A sonoridade da música é ainda mais oitentista do que os trabalhos que a antecederam e encontra na melancolia dos versos um vislumbre da forma que “Masochism” está tomando. “Quero me ver livre da escuridão que está profunda dentro de mim, livre de todos os olhares que vejo tomando conta de mim”, canta — ouça aqui.

“Sempre pensei que eu deveria sofrer para que no fim fosse algo real ou fazer bem. Mas nem sempre este é o caso.” Sky sobre o título do segundo disco para a publicação Beat Magazine, em 2015.

Sky também é atriz e modelo, o que tem ajudado a artista durante todo o processo criativo, tendo aproveitado a liberdade de direção artística e criativa para as fotos de sua edição como capa da Playboy para apresentar o conceito do disco. Mas enquanto o SF2 não vem, podemos conferir sua participação no revival de Twin Peaks e ouvir a canção inedita para a trilha sonora do filme “Baby Driver“, no Brasil distribuído como “Em Ritmo de Fuga”, do qual ela também faz parte do elenco com nomes como Ansel Elgort (A Culpa é das Estrelas, Divergente) e Lily James (Cinderela, Orgulho e Preconceito Zumbis).

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07/07/2017
por Douglas Vasquez
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O CANTO MAIS ESCURO DA FLORESTA, 2017 | GALERA RECORD | 294 PÁGINAS | ISBN 8501108766 | 🛒

Foi uma surpresa quando recebi a carta dos Correios solicitando a retirada de um pacote misterioso em uma de suas agências. Afinal, por maiores e raras vezes pesados os pacotes com livros que já recebi das editoras parceiras, nenhum deles foi necessário ter que ir buscar. O que será que me esperava então?

Com a caixa embalada em papel pardo, não conseguia conter a curiosidade de entender o que havia ali dentro. O pacote era claramente da Editora Record, pois estava estampado na embalagem. Ainda no carro, com a caixa no colo, não contive a animação e rasguei o embrulho. Quando abri, o perfume doce foi a primeira coisa que notei e logo em seguida, as flores secas preenchendo a caixa.

“O canto mais escuro da floresta” é quase como um conto de fadas moderno. Holly Black (que é uma das autoras da famosa série infanto-juvenil ‘As Crônicas de Spiderwick’, que ganhou os cinemas em 2008), se aventura em um livro fantástico com pitadas de romance moderno. De imediato, fiquei ansioso para começar a leitura, pois nunca havia lido nenhum outro livro da autora.

Fairfold, situada nos Estados Unidos, é uma cidade diferente das outras, com uma floresta encantada, onde moram fadas e outros seres mitológicos. Por séculos os residentes da cidade sabem que não devem confiar nas criaturas que vivem cercando a cidade, a mágica é uma coisa perigosa para se lidar. No entanto, há um garoto pálido de chifres e cabelos cacheados que dorme dentro de um caixão de vidro. Por gerações ele esteve ali e ninguém nunca soube o porquê, o mistério que gira em torno do “Garoto de Chifres” é enorme, mas sua beleza indecifrável não torna muito difícil de imaginar que muitas garotas (e garotos) tenham se apaixonado por ele ao longo das décadas.

“Você e sua irmã são muito amáveis um com o outro e para demonstrar isso, vocês dão um ao outro belos buquês de mentiras.”

Hazel e Ben são irmãos, nascidos e criados em Fairfold por dois pais que não entendiam muito bem o que é ter filhos e por vezes, os dois tinham que se virar sozinhos para sobreviverem. O garoto dormindo na floresta se tornou um amigo confidente, deitado em seu caixão de vidro inquebrável, Ben e Hazel encontram nele a segurança para dividir seus pensamentos e problemas.

Até que um dia o caixão é quebrado e o garoto de chifres não se encontra mais dormindo ali.

A história contada por Holly Black é mais do que um conto de fadas moderno, é uma história sobre dois irmãos que eram inseparáveis na infância, mas guardam muitos segredos obscuros na adolescência. Ela constrói o enredo buscando memórias da infância aventureira dois dois intercalando com momentos no presente que preenchem as lacunas e complementam as personalidades dos dois a todo o momento. Essa escrita gradual me fez sentir mais próximo dos dois, ao me fazer conhecer o seu passado ao “testemunhar” as atitudes tomadas no presente, me tornou mais próximo, assim como quando conhecemos uma pessoa nova.

“Ela sabia que ele entenderia. Irmãos tem sua própria linguagem, seus próprios códigos. Ela estava feliz por poder compartilhar a estranha, ridícula impossibilidade daquilo com a única pessoa que conhecia as mesmas histórias, com a pessoa que as havia criado, para começo de conversa.”

O início do livro é um pouco lento, sem deixar se revelar muito um livro de fantasia, o que me deixou um tanto desanimado a continuar. Quando somos apresentados à mitologia do garoto de chifres e ao poder que ele tem sobre todo o enredo, a minha curiosidade estalou e acabei lendo o livro o mais rápido que pude, mas com aquela angústia na boca do estômago por saber que aquele era um livro único, não há sequências.

O que mais gostei na história, no entanto, não foi a reconstrução da relação entre os irmãos, mas o romance inesperado entre Ben e o gaoroto de chifres e todo o desenrolar de um relacionamento que há muito estava predestinado. Ben o via como um príncipe que o salvaria da maldição que lhe fora dada como uma benção quando era bebê e durante anos confidenciava a ele, em seu caixão de vidro, todos os dilemas da vida de um garoto que estava entendendo a sua sexualidade. Por mais que Hazel também seja apaixonada pelo garoto, é por Ben que ele nutre o sentimento – ele sempre esteve ouvindo tudo e ansiando por mais, incapaz de dizer uma palavra preso em sua maldição.

“Eu amo você como nos livros de histórias. Eu o amo como nas canções de amor. Eu o amo como um raio. Eu o amei desde o terceiro mês em que você veio falar comigo. Eu amei que você me fazia querer rir. Eu amei a maneira que você era doce e de como você fazia pausas ao falar, esperando que eu o respondesse. Eu o amo e não estou zoando ninguém quando beijo você, ninguém mesmo.”

A perspectiva interessante deste romance é que ele tem duas heroínas, que na verdade são uma só. Hazel sempre foi a corajosa, quando criança lutara contra as criaturas mágicas de Fairfold e fizera de tudo para proteger sua família, em especial o irmão e neste ponto da narrativa, quando tudo parece fazer sentido, nada realmente faz. É neste ponto, quando descobrimos o segredo mais profundo de Hazel que a história realmente começa e estamos falando de quase metade do livro – e não digo isso como uma crítica negativa.

Black criou um universo mitológico muito bem detalhado que nos faz querer mais livros, mais histórias e mais tempo com os personagens, que são o ponto alto do livro. Os diversos romances e histórias paralelas à narrativa principal deixam os personagens mais complexos e ricos, é possível sentir as emoções e os sentimentos guardados. Aliás, sentimentos guardados e coisas não ditas são temas muito presentes no livro, que explora conexões familiares (não apenas entre Ben e Hazel e seus pais), aceitação, auto-descoberta e tudo isso em livro de apenas 300 páginas.

Não há resenha no mundo que fará jus à “O canto mais escuro da floresta”. A capa da edição americana mostra a silhueta de um garoto formada por folhas e flores, enquanto a brasileira feita pela Galera Record não revela muita coisa e a diagramação das páginas são praticamente o padrão da editora. Durante toda a aparição do garoto de chifres no livro, as características físicas descritas pela autora me fizeram associá-lo ao Harry Styles (don’t blame me) e agora não consigo desfazer isso na minha cabeça.

Ben, Hazel e todos os outros personagens tem dilemas e personalidades muito relacionáveis. As sublinhas obscuras escritas por Holly Black se escondem por baixo de uma narrativa simples e te colocam a pensar em temas que afetam a realidade atual.

“Para Ben, o amor era uma chama na qual ele queria renascer. Ele queria ser refeito por ela.”

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05/06/2017
por Douglas Vasquez
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Como vai? Ainda se lembra de mim? Eu venho procrastinando escrever por aqui por motivos que nem mesmo eu sei dizer – e talvez isso também seja uma das razões. “Ih, já faz um mês que eu não publico nada no blog. Talvez se eu não entrar lá, não vou ter que me martirizar pelo tempo”, foi só uma das coisas que passou pela minha cabeça quando alguém mencionava este espaço ou quando eu terminava de ler um livro novo e sabia que deveria ter feito algumas anotações no decorrer da história para construir uma resenha interessante depois.

Apesar de blogar há quase uma década inteira (eu sei, alguém ainda faz isso ou todo mundo migrou para os vídeos?), manter uma periodicidade na internet nunca foi o meu forte, vocês já devem ter notado.  Eu quero escrever aqui um conteúdo que seja prazeroso para vocês, e para mim também, e por me pressionar tanto para escrever um texto que talvez algumas dezenas de pessoas irá ler e guardar para si mesmas (alô, gente! vamos comentar? hehe) ou que simplesmente será ignorado pela timeline do Facebook de vocês – por que a gente tem que saber qual é a próxima diva pop que vai flopar no mercado, né? – me afasta cada vez mais deste espaço que eu criei.

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Eu tenho inúmeras ideias sobre o que escrever, por volta de quatro ou cinco livros para resenhar (e um deles acompanha um conteúdo exclusivíssimo com o próprio autor) e alguns vídeos editados pela metade para finalizar, mas a falta de auto-confiança e o medo de estar fazendo papel de bobo na internet me fazem estagnar e largar rascunhos de posts apenas com o título escrito e abrir correndo a Netflix para continuar a maratona de seja qual for a série que eu esteja envolvido no momento. “Isso é relevante?”, “minhas resenhas convencem alguém a ler algum dos livros que indiquei?”, “se as editoras parceiras me escolheram para enviar seus livros é porque meu conteúdo não deve ser tão ruim, certo?”, questionamentos e questionamentos rondam a minha cabeça para no fim permanecerem sem respostas.

É muito gratificante quando recebo o feedback pelo trabalho que faço nesse ciberespaço. Quando alguém (geralmente minhas amigas) fala que adorou minhas indicações do série do post anterior ou que mandei muito bem ao falar sobre as leituras atuais lá no InstaStories (já me seguiu?), essas perguntas encontram suas respostas e eu entendo, vale a pena pagar o preço dos poucos comentários. Eu sei que você está me lendo, tenho acesso à todas as estatísticas: o que você clicou aqui dentro, de onde você veio, o que pesquisou, qual post compartilhou… Então eu sei que você está aí, do outro lado da tela e é com você que eu falo agora.

Aqui embaixo está um formulário que me ajudará a entender o que você gosta de ler quando vem até o blog. Eu sei que é um grande clichê, e assim como sempre preguei no AC, clichês não são nada vergonhosos. Ao responder todas as perguntas, que levam poucos minutos, você me ajudará a decidir as pautas principais e as secundárias, quais conteúdos eu terei que melhorar e o que deveria ficar de fora.

A bola está com você agora, me ajuda?

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