14/11/2016
por Douglas Vasquez
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Quando Sabrina Carpenter entrou na cena musical com o seu até então tímido disco de esteia, “Eyes Wide Open” (2015), ninguém imaginou que a loirinha fosse encontrar a sua voz tão cedo e criar um som tão coerente e explosivo logo de cara. Em “EVOLution“, segundo disco de sua carreira com a Hollywood Records, Sabrina mostra que sua voz é capaz de mais do que o country pop que havia nos entregue no ano passado e apresenta uma gama de maturidade e consistência que só tem a melhorar em seus próximos trabalhos.

No início do ano, Sabrina lançou a inedita “Smoke and Fire” como parte do seu novo trabalho e logo ali a mudança de sonoridade ficou evidente. A música, que acabou não entrando para a tracklist do disco, foi o suficiente para chamar mais atenção à seu trabalho e lhe rendeu diversas participações em programas de televisão nos Estados Unidos, sendo então o seu passe para ser oficialmente considerada a cantora pop que a atual geração do Disney Channel precisava, em tempos em que o canal já não emplaca mais seus artistas como antigamente.

“Arte produz emoção, emoção produz mudança e mudança produção evolução.”

O primeiro single da nova era é “On Porpuse“, a música, que também abre o disco, começa de maneira tímida, apenas voz e piano e aos poucos, cresce até alcançar o seu refrão explosivo, e nos apresenta à nova sonoridade pop de Sabrina. A letra é afiada, assim como a grande maioria do disco e busca no tropical house, que tanto ouvimos neste ano, um pouco de influência para torná-la um pouco mais dançante. A fórmula é repetida de certa forma na música que segue, “Love Feels Like Loneliness“. A balada flerta com o tropical house e abusa de alguns efeitos magnéticos, enquanto sobe criando uma sensação de raiva e mágoa.

Em “Thumbs“, Sabrina critica a forma que a sociedade não quebra o seu ciclo vicioso, onde todo mundo é igual a todo mundo e em sua maioria, segue da mesma forma por décadas e décadas. A canção é uma das melhores de sua carreira e uma boa aposta para as pistas de dança, abusando muito do eletro pop, levanta o ânimo do disco.

No Words” é uma das minhas favoritas até então. A música, é mais uma que busca influências no flerte do pop com o tropical house para compor o seu ritmo e a aposta de criar essa ligação entre as canções do disco funciona. A letra, foi composta em parceria com Ido Zmishlany e também produzida por ele. Segundo a cantora em um dos shows da Evolution Tour, sua primeira turnê como artista principal, é uma canção apaixonada que referencia ao sexo.

“As costelas são a prisão de um coração selvagem, posso sentir o seu batendo entre  as barras.”

A primeira real balada do álbum é “Run and Hide“, a música apresenta apenas a voz de Sabrina com uma guitarra elétrica no fundo. A canção, apesar do teor romântico, nada se assemelha com seus trabalhos passados e abrange uma grande maturidade vocal sendo a primeira parada para respirar antes de voltarmos para a pista de dança. “Eu quero ser amada, não quero ter que fugir e não quero me esconder mais”, canta.

Mirage” é outra grande canção pop no disco que também bebe da fonte do tropical house. Na letra, Sabrina questiona a si mesma se fama é real o ou apenas uma miragem. Miragem pode ser definida como uma ilusão de alguma forma, onde ela fica em dúvida se todos em Hollywood à sua volta estão vivendo “a cena” escondidos sob uma máscara. “Cada rosto é um holograma. Somos todos pegos em um sonho e todos se fingem de inocentes, é tudo parte do negócio.”

Quando você imagina que o álbum não pode ficar melhor, temos a poderosa “Don’t Want It Back” que de certa forma, não chega tímida como as outras, mas também cresce conforme se aproxima do refrão. “Quando está tudo sob ataque, você tem o meu coração e eu não o quero de volta”, ela canta envolta a batidas sintéticas e estalares de dedos. A canção segura em si o poder de levar Sabrina à outros níveis em sua carreira e à rádios nacionais e internacionais, com um grande potencial à single.

Shadows” é a segunda balada do disco que já chega em sua reta final. Mais uma vez provando o seu potencial vocal, Sabrina nos entrega uma canção nostálgica sobre se entregar ao amor e não ter medo de estar com alguém por seus erros no passado, sua sonoridade flerta com o R&B em alguns momentos. A penúltima canção do disco é “Space“, uma música pop daquelas que a gente coloca os fones de ouvido no meio da noite e dança como se ninguém estivesse vendo. Nela, Sabrina implora por espaço em um relacionamento que está a sufocando: “Preciso experimentar um pouco de liberdade, preciso de um pouco de espaço para respirar, mas sei que você está me observando. Você está logo ali me observando.”

Para encerrar o álbum, “All We Have Is Love” é uma canção pop saudosista e gloriosa recheada de ganchos e batidas sintetizadas. Sabrina canta sobre celebrar o que mais importa, que em sua concepção jovem, é o amor. O tom profundo e emocional marca um ponto final de uma história que foi contada milhões de vezes, mas para ela, é apenas a primeira vez. Ela encerra “EVOLution” celebrando uma grande jornada de sentimentos adolescentes, como paixão e relacionamentos que ora parecem incríveis e infinitos e ora parecem o fim do mundo sem perder o brilho e otimismo, sabendo que tudo muda e tudo evolui.

No fim das contas, faz sentido não vermos “Smoke and Fire” no disco. Uma música de transição, onde embora seja dominantemente pop do início ao fim, ainda é possível encontrar referências do country que pudemos ouvir em sua estreia, não fazendo sentido e nem coesão com a proposta que Sabrina buscou experimentar trazer nas dez faixas do “EVOLution”. É impressionante ver a grande evolução musical de uma artista de dezessete anos para o cenário pop, se a compararmos com outras estrelas da Disney quando tinham a mesma idade, como Miley Cyrus e Selena Gomez; uma maturidade dentro da cena que só foi alcançado alguns anos depois, quando deixaram a gravadora do canal infantil.

Sabrina está fazendo o seu caminho na indústria pop de forma brilhante e inteligente e mal posso esperar por o que virá a seguir.

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