10/08/2015
por Douglas Vasquez
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ELECTRA POST

A dica da Vic para esse tema foi “pergunte para seus amigos e surpreenda-se (ou não!)” e eu jurava que a resposta dos meus amigos seria unânime quanto ao álbum que eles escutam e se lembram de mim. Mas eu já deveria adivinhar que nem todo mundo escuta a mesma coisa e nem todo mundo tem uma conexão única comigo, então eu me surpreendi quando recebi respostas como “Can’t Be Tamed” (da Miley Cyrus), “Communion” (do Years & Years) e FOUR (do One Direction), pois esses eram álbuns que de alguma forma marcaram a minha amizade com certas pessoas.

De qualquer forma, eu já esperava (e estava torcendo muito) para que todos escolhessem o “Electra Heart“, da Marina and the Diamonds – da qual eu já falei aqui. Afinal, esse disco é a minha vida, além de ser o header do meu Twitter há muito tempo (muito mesmo).

Esse post será longo, então espero que esteja confortável.

O álbum é o segundo da cantora galesa, onde ela escolheu experimentar uma pegada mais pop e radiofônica, trabalhando com produtores como o famoso Dr. Luke, a fim de entrar no mercado fonográfico americano. A ideia era ser outra pessoa e contar uma história (inspirada secretamente em sua vida, tu não me engana Marinão), mas como já contei antes, foi parcialmente barrada. Marina criou sim uma personagem da qual viveu sob a pele (não, Electra não é um alter-ego), mas ela não pôde simplesmente desaparecer, seu nome teve que vir junto quando ela decidiu contar a história da mulher mais dramática e sombria do mundo.

Electra Heart é dividida em quatro arquétipos que ainda estão abertos à interpretações, alguns os separam em quatro mulheres diferentes, mas eu particularmente o diferencio em fases da vida de apenas uma: a própria Electra Heart. Vou tentar explicar um pouco da minha visão sobre esse mundo (que eu amo e me identifico) da maneira mais simples possível, sem entrar muito em conspirações e histórias da era, que foi a mais tortuosa para Marina.

Basicamente ela nos conta as quatro fases ao mesmo tempo, intercalando as músicas (seguidas por alguns vídeos), que se alinhados de forma cronológica, criam o todo o drama.

As quatro primeiras faixas do disco nos apresentam os quatro arquétipos da personalidade de Electra, que são eles: Idle Teen, Beauty Queen (mais conhecida como Primadonna), Housewife (ou Su-Barbie-A) e Homewrecker (aka Hearbreaker). Em “Bubblegum Bitch“, Electra Heart (vou identificá-la assim e não como Marina) é uma adolescente que está disposta a ser notada, adorada e amada, não importando as circunstâncias. É claramente a fase que ela se apaixona pelo garoto errado e seu coração é partido pela primeira vez, assumindo um estado de vulnerabilidade e auto-defesa.

A segunda faixa é “Primadonna“, apresentando o arquétipo de mesmo nome, Electra já é uma mulher, alguns anos mais velha do que a Idle Teen, recém chegada aos vinte e está disposta a ter o mundo à seus pés. Após ter tido o seu primeiro coração partido, nunca recuperou a auto-estima de verdade, mascarando-a com luxo, glamour e a busca desenfreada a qualquer custo pela adoração de todos. “Lies” nos apresenta a Housewife, uma Electra dona de casa, presa em um casamento infeliz, deprimida e cansada de não ser amada pelos homens à quem entregou seu coração, um do arquétipos mais em construídos sendo explorado por maior parte da vida de Electra. A faixa “Homewrecker” dá título ao arquétipo final, cansada da busca por amor, sem esperanças de um futuro com o “homem perfeito”, ela decide então começar a partir corações em ordem de proteger o seu. Geralmente é a favorita do público noob, explicarei o motivo em uma das faixas extras.

Starring Role” é uma das músicas mais poderosas do disco, carregada e uma emoção contida, rancor e tristeza. Electra afirma estar cansada de ser a segunda chance (you know I rather walk alone then play a supporting role, if I can’t get the starring role), a música remete à Primadonna em transição para o arquétipo Housewife. Em seguida temos “The State Of Dreaming“, na música que é tema da minha vida, Housewife assume que vive em um estado do sonho, onde ela idealiza uma realidade perfeita para a sua vida o tempo todo, se desassociando de sua vida real.

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Em outra faixa que explora o arquétipo da Housewife, “Power & Control” narra o casamento fadado ao fracasso em que Electra se meteu, onde o homem tem poder da relação (do ponto de vista social) e a mulher tem o controle. Afinal, por trás de todo homem de sucesso tem uma mulher, não é mesmo? E Electra como a boa controladora (de tudo) que aprendeu a ser, em seu casamento não seria diferente. O vídeo da música complementa a faixa e representa exatamente a relação fria e sombria entre os dois, “I’m gonna make you fall (…) ‘cause all my life I’ve been in control”, canta.

O arquétipo Beauty Queen volta a ter seu lugar no holofote na faixa oito, em “Living Dead” ela canta sobre a depressão (Marina já admitiu esse ser um dos grandes temas do disco, pois a mesma sofreu com a doença durante todo o processo criativo), revelando que sente-se morta por dentro, utilizando o seu mundo de fantasias para fugir da realidade que assombra a sua vida. “Teen Idle” é óbviamente sobre o arquétipo Idle Teen, narrando a fase conturbada da adolescência, cheia de rancor pelo mundo e por si mesma da qual ela gostaria de não ter tido. Utilizando de problemas “comuns” entre a maior parte dos adolescentes como anorexia, bulimia, depressão (feeling super super super suicidal), conflitos religiosos, virgindade e a excessiva perda de tempo dentro do quarto martirizando-se. Ain’t youth meant to be beautiful? pergunta-se ela em um monólogo no auge da música, arrependida. Também é a queridinha dos fãs.

As seguintes “Valley of The Dolls” e “Hypocrates” voltam a aproveitar a Housewife, a primeira foi nomeada atrás de um grande filme dos anos setenta, que serviu de grande inspiração para o disco e personalidade do álbum. “Pick a personality for free, when you feel like nobody, body…”, Electra canta em uma das fixas mais sombrias do disco, assumindo que depois de toda a jornada, se tornou uma mulher volátil e fora da realidade. A segunda é bastante melancólica e me lembra bastante de “Buy The Stars”, penúltima faixa e caracterizada como bônus na versão Deluxe, onde ela finalmente encara um de seus amores e questiona “who are you to tell me (tell me) who to be?”. Será que chegou a hora de encarar a vida real?

Fear and Loathing” foi a primeira música divulgada para a jornada da Electra Heart, no vídeo vemos uma Marina fria, cortando os cabelos e apesar de insegura, está determinada a começar uma nova vida. A letra da música pode ser interpretada como um início ou como o final de um ciclo, “I’ve lived a lot of different lives” ela inicia a canção para mais tarde concluir que não quer mais viver uma vida com medos e diferentes personalidades dentro de si. Ah, quem canta no final da música é a avó da Marina, em grego, por isso ninguém consegue entender o quê. “Radioactive” dá início às faixas bônus e é o fôlego que precisamos para continuar o álbum que está quase acabando, uma faixa upbeat pronta para a pista de dança. Electra está em seus dias de glória, sendo uma boa Idle Teen rebelde e inconsequentemente apaixonada, que larga tudo por aquele primeiro namorado. O sentimentos à flor da pele ela não tem medo de expor seus sentimentos, “my heart is nuclear, love is all that I fear“, mas já ali percebendo o quão fútil é o amor do seu amado: “In the night your heart is full and by the morning empty“.

Sex Yeah” é o hino feminista que eu gostaria que estivesse na tracklist da edição principal. Mais Marina do que Electra, ela nos faz questionar diversos tabus da cultura social, deixando claro que a sociedade nos impõe diversos papéis mesmo antes de nascermos, por padrões definidos à mais tempo do que o homem pode se lembrar. A décima quinta faixa é “Lonely Hearts Club“, outro hino desperdiçado, mas que foi muito bem utilizado na divulgação da turnê, que levou o seu nome. Electra monta um grupo de pessoas como ela: carentes, deprimidas e desiludidas com os amores que nunca serão como nos filmes. Finalizando o álbum, temos “Buy The Stars“, que eu mencionei um pouco mais acima, é uma faixa melancólica que depois de ouvir muito  eu aprendi a amar, pois eu entendi o seu real significado. Ela remete à Primadonna, a fase em que Electra buscou ser a maior estrela que poderia existir, deixando claro para seu amante que ele não pode possui-la, por mais desesperada por amor que ela esteja, pois as estrelas são livres. Também serve como um lembrete para si mesma.

Você deve estar se perguntando, “ué, não tá faltando “How to be a Heartbreaker“?”, e sim, está. A música não é oficialmente do álbum, apenas da versão comercializada nos EUA. Apesar disso, foi peça chave na construção da história da Electra Heart, marcando a fase Homewrecker, onde ela não é a caça e sim o caçador. É a música mais conhecida da Marina, foi tocada em rádios do mundo inteiro, além de utilização em séries e programas de televisão, atingindo um público que não é fã e noob no assunto.


CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Electra Heart (2012) – ouça no Spotify, Deezer ou Rdio.

Melhores músicas: “Bubblegum Bitch”, “Primadonna”, “Living Dead”, “State of Dreaming”, “Homewrecker”, “Lonely Hearts Club” e “Sex Yeah”

Pior música: Nao tem pior, lidem.

Não deixe de ouvir: “Power & Control”

Por que você deveria ouvir? É a bíblia do indie-pop.

Na escala de 1 a 5 Dona Florindas, quanto o “Electra Heart” vale?

ELECTRA HEART

O post realmente ficou gigante e eu nem inclui toda a informação que eu tenho sobre ele, me desculpem por isso, mas é que eu me empolgo quando falo sobre a Electra Heart.

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