23/02/2017
por Douglas Vasquez
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Algumas séries de tv são como velhos amigos: você sempre pode contar com elas depois de um longo dia para rir, desabafar ou apenas para se desligar do mundo e descansar, se sentir abraçado. O termo “comfort tv” é, em um simples resumo, exatamente isso.

Sabe aquela série que você sempre acaba assistindo depois de perder longos minutos procurando algo “interessante” na Netflix? É ela. É como terapia, séries (ou episódios) que você assiste para se sentir bem e talvez compreendido.

Mesmo antes de conhecer o termo, eu já colecionava diversas séries que eu sempre corria no fim do dia. Algumas vezes por motivos diferentes. Cada série aborda um tema que eu me sinto diretamente conectado, em um mundo fictício do qual eu gostaria de fazer parte ou do qual eu me sinto representado.

Blair e Serena, de Gossip Girl.

A primeira de todas é lá de 2008. Quando eu comecei a ver Gossip Girl, eu já tinha o sonho de viver em Nova York estampado na testa. A motivação para criar um blog 1 ano depois não foi exatamente essa, mas também não posso negar que foi uma grande influência. Quase 10 anos depois estou aqui e ainda assino alguns posts com o famoso “xoxo”. Glee veio logo depois, porque todo mundo sabe que eu sou o louco dos musicais (e quem é das antigas lembra muito bem que meu primeiro blog era sobre HSM); A minha estrela interior se sentia entendida toda vez em que Rachel Berry estava na tela.

Meu conforto ao ver Sex and the City não mudou, mas evoluiu quando The Carrie Diaries começou a ser exibida (e mesmo depois que foi cancelada). Além da trama ser ambientada em Nova York na década de oitenta e abordar moda e música, a jovem Carrie está se descobrindo no universo da escrita. E não que eu enfrente exatamente os mesmos problemas que ela, mas nós compartilhamos dos mesmos anseios, nervosismos e ambições. Eu assisto até hoje para me sentir entendido, para buscar inspirações do que escrever ou para simplesmente entrar no clima da escrita.

Eu poderia continuar por horas falando sobre o mesmo sentimento por Supernatural e da mais recente na família, Grey’s Anatomy (!), mas agora, quero divagar sobre Younger e a dificuldade mais ridícula em ser um jovem millenial na casa dos vinte e poucos.

Em Younger, Liza (Sutton Foster) é uma mulher de 40 anos que ficou de fora da área editorial, sua profissão por amor, por quase duas décadas para ser mãe e quando a filha(única, aliás) vai embora para estudar em outro país, se vê, de certa forma, livre para tentar recomeçar de onde havia parado. Pronta para um novo começo, ela se divorcia do marido patriarcal e preguiçoso (aquele típico americano que se acha o engraçadão) e parte em busca de oportunidades de emprego.

Mas o mundo de Liza não é todo colorido quando ela coloca o pé para fora de sua casa no subúrbio de Coney Island, ao contrário do que ela esperava, a sua experiência de anos como editora já não vale de nada para as Editoras da cidade, que buscam por uma personalidade jovem e atualizada. Ter ficado tantos anos fora desse universo fez com que ela perdesse o seu valor, levando-a a brilhante (cof cof) ideia em fingir ter 26 anos de idade. E só então, após uma make-over rejuvenescente, Liza não é apenas aceita de volta na indústria editorial, mas disputada, por ser a profissional muito bem capacitada que ela é, em uma versão mais jovem, prodígio.

YoungerTV tv land younger

A sitcom de comédia da TV Land não tem apenas a cidade como fator que instantaneamente a tornou uma das minhas comfort tvs, ou a grande presença da moda, a série traz em seus curtos 12 episódios um tom humorístico muito inteligente disfarçado de bobinho e fala (mesmo que de uma forma bem romantizada) sobre o cotidiano de trabalhar em uma editora, o prazer de estar envolvido em um universo que a gente tanto ama e sendo pago para isso. É o dream job de todo bookworm.

Liza ganha sem querer querendo uma nova vida com novos amigos (a Kelsey, interpretada por Hilary Duff, é aquela melhor amiga que a gente queria ter) e um namorado mais jovem, que apesar do estilo bad boy e trabalhar como tatuador, é o canceriano em pessoa (e interpretado pelo INCRÍVEL Nico Tortorella). Embora a própria série não se leve tão a sério e se embole em algumas tramas aqui e ali, é o abraço apertado perfeito que a gente precisa depois de uma longa semana.

Younger é autocrítica e nos proporciona momentos interessantes onde debate o vício das selfies, o abuso das hashtags, feminismo, indústria editorial moderna, sendo esse, um dos temas mais bem aproveitados durante as três temporadas já exibidas; a editora em que Liza trabalha está aprendendo a se adaptar exatamente no momento de transição entre livros físicos e digitais. Tem até um episódio em que a editora busca se encaixar nos “livros de Youtubers” e patina ao assinar com alguns influenciadores digitais. Às vezes Liza se vê inserida em um mundo tão superficial e preocupado com a quantidade de likes no Instagram que chega a ser engraçado de tão real que é.

No fim das contas, não é preciso de muito para fazer meu coração saltar do peito e me deixar colado na tela do computador por uma maratona de vários episódios madrugada a fora.

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