30/08/2017
por Douglas Vasquez
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Eu odeio me sentir incapaz de fazer alguma coisa que eu sei que não é um bicho de sete cabeças.

Ontem minha turma começou a ter aula práticas em televisão. Eu sei, sexto semestre e só agora começamos a ir para o estúdio praticar nossas habilidades como repórteres, é meio ridículo mesmo, mas fazer o quê? A aula consistia em ler uma pequena nota sobre o aumento dos casos de dengue na cidade. Por incrível que pareça, não tive problemas para memorizar os números dos casos e muito menos para pronunciar o trava línguas que eram os números que envolviam muitos “três” (53, 433, 314, mais especificamente). O texto estava na ponta da minha língua e já vi minhas amigas do estágio gravarem esses boletins tantas vezes no dia a dia que achei que fosse tirar de letra. É simples, realmente é. simples.

Mas eis que eu me posiciono na frente da câmera e… não sei. Oi? Não sei? EU SEI SIM, PRODUÇÃO! E daí? Se fosse ao vivo você viraria meme na hora.

Eu não fiquei tímido na frente da câmera, ou de ter que fazer uma coisa que será a minha profissão depois desses longos anos na faculdade na frente dos meus colegas de classe, eu não sou o tipo de pessoa que tem esse problema para falar em público. São pequenos detalhes que me fizeram errar incontáveis vezes – e assim prosseguiu por 95% da classe.

Não saber se eu estava fazendo caretas muito estranhas para a nota nada feliz que estava dando ao público, ou o microfone escorregando das minhas mãos (quem diria que seria tão incômodo congelar o braço na posição correta?) e até mesmo, e para ser sincero, principalmente, a pressão de não poder errar um exercício prático tão comum e simples na vida de um repórter. Na realidade, podíamos, mas quem quer errar, né?

Fiquei até o último minuto dentro do estúdio com o professor e alguns dos meus amigos mais persistentes (que também erraram tantas vezes quanto eu) e ainda assim, fui para casa sem conseguir ir até o final do texto. O texto que eu sei de cor até agora, que eu fui embora recitando para as minhas amigas no estacionamento, em frente aos espelhos dos banheiros e na minha cabeça nesse mesmo momento.

Eu odeio me sentir frustrado. Sem soar presunçoso, poucas vezes durante a faculdade eu me senti tão inútil e incapaz de fazer uma coisa da forma como eu me senti ontem. É cômico de tão ridículo que foi o papel que eu me prestei. Ainda assim, todas as vezes que tive a oportunidade de ficar na frente da câmera e tentar, eu tentei. Eu gritei, eu pulei, eu respirei fundo e tentei.

Ao menos toda essa prática nos rendeu boas risadas – e fotos, e vídeos (porque sim, aprendi a minha lição de gravar tudo o que eu puder durante a minha vida e registrar momentos como esse para rir depois).


PS: Se alguém quiser, gravo um vídeo recitando essa coisa linda de boletim e incluo em algum vlog por aí. O vídeo dos bastidores desse dia entrará na série de aleatoriedades VHS Tape que eu tô editando! 😉
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