23/12/2017
por Douglas Vasquez
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É difícil começar esse texto, assim como têm sido difícil escrever qualquer coisa ultimamente mesmo que eu tenha precisado soltar algumas coisas daqui de dentro. Antes de criar esse blog, há 4 anos atrás (o tempo passa voando, né?), eu tinha um blog que era pra ser particular, onde eu escrevia tudo o que estava sentindo. Era uma época difícil na minha vida, eu vivia um momento de estagnação pós-ensino médio e tinha acabado de sair do meu primeiro emprego, então toda essa vida de “pessoa que está entrando na vida adulta” estava me deixando sem saber para onde correr. Eu tinha pessoas na minha vida que naquele momento, eu acreditava serem para sempre, mas que no fim, só acrescentaram lições de quem eu não quero ser pra os outros no dia seguinte. Eu vivia em um relacionamento que não tinha base, não tinha um chão sólido e eu me deixava levar por qualquer palavrinha escrita nas redes sociais: resumindo, me ferrei bonito.

Quando aquele ciclo acabou, eu decidi começar um novo. Pegar tudo o que eu havia aprendido e melhorar o que eu viveria no futuro. Durante aquele período eu escrevi bastante, mesmo quando estava esgotado, eu me forçava a escrever e me liberar daquela energia que me perseguia e quando eu coloquei o ponto final naquele capítulo, também joguei fora a caneta psicológica que me fazia escrever. Desde então, não escrevi nenhuma crônica sobre a minha vida que fosse tão fundo nos meus sentimentos.

Mas ultimamente eu tenho sentido a necessidade de ser mais aberto e escrever em um diário. É uma meta para 2018 que eu quero muito cumprir e talvez levar vocês nessa jornada comigo. A intenção desse texto não é essa, na verdade, e nem fazer uma retrospectiva de 2017 — que em muitos pontos foi bom pra mim, mas vou comentar sobre ele mesmo assim.

Esse ano foi cheio de grandes surpresas e mini-vitórias conquistadas. Eu percebi que não preciso de um relacionamento amoroso para escrever sobre amor, ou sobre qualquer outra coisa, pra ser sincero, mas por muito tempo eu achei que sim. Perceber isso foi como um estalo, assim, do nada, e por isso a vontade de manter um diário no ano que vem. Eu sempre fui uma pessoa que escreve e por mais que pareça uma falta de modéstia dizer isso, sempre fui muito elogiado pelas pessoas a minha volta sobre isso. Talvez eu devesse ouvir essas pessoas e confiar mais nisso, reconhecer que o que escrevo também é válido.

Aprendi a dizer mais o “sim” para coisas que eu quero fazer na vida. Eu nunca fui do tipo impulsivo e acredito que isso não esteja em mim, mas entendi que em alguns momentos não pensar demais é necessário. Neste ano eu fui a 8 shows de artistas que adoro muito e comprei todos os ingressos sem pensar muito em “pedir permissão” ou me preocupar em como iria e voltaria da capital. Uma grande vitória, se você é alguém que me conhece por muitos anos vai entender. Perdi a conta de quantos shows eu desejei e não fui por causa da opinião e decisão dos meus pais, eles sempre foram muito céticos quando o assunto é ir a um lugar cheio de pessoas desconhecidas. Não vou dizer que eles ficaram felizes com os OITO (são muitos pra quem tinha ido em apenas 1 até o ano passado), mas eu fiquei muito. E isso já basta.

2017 foi tão bom comigo que me proporcionou a oportunidade de ir em shows de pessoas que eu achava que nunca iria na minha vida! Se você me dissesse no começo do ano que eu veria a Sandy ao vivo, em um espetáculo tão lindo quanto ela, ou que eu iria a um show do Rouge, que marcou TANTO a minha infância e moldou bastante quem eu sou hoje, eu não acreditaria em você.

A faculdade entrou em reta final agora que estou prestes a começar o quarto e último ano. Nesses dois últimos semestres me deparei com várias experiências frustrantes nas aulas, principalmente na de televisão, como contei para vocês há alguns meses. Na hora tudo parece terrivelmente ruim e eu, que sou bem dramático, o fim do mundo. Mas foram momentos importantes e decisivos que me lembraram que nem sempre eu vou acertar as coisas de primeira e que lá fora, no mercado de trabalho, essas coisas são diferentes. Eu superei a câmera e agora eu consigo tirar de letra as gravações ~mais jornalísticas~ e a grande prova disso, é que eu tive que me virar nos 30 (segundos), literalmente, para entrar em um link ao vivo no trabalho por diversas vezes desde então. Agora quando me chamam eu nem pondero mais, muito pelo contrário, vou com um sorriso. E se você quer saber o desfecho das aulas de televisão, pode ver o jornal que fizemos completo que eu fui o âncora. As gravações foram super rápidas, eu tinha o texto na ponta da língua e superei o medo de parecer um robô lendo o TP, na minha primeira experiência gravando com ele.

Faculdade é inclusive, algo que quero escrever mais sobre. Essa era a meta desde o início e é um dos temas mais procurados aqui no blog. Me cobrem!

Já que eu comecei a falar de jornalismo, não posso esquecer de dizer que agora trabalho na área. Eu não adorava o meu trabalho anterior, na verdade, perdi a conta de quantos dias eu chorei por ter que ir para lá, que por um tempo era insuportável. Consigo contar nos dedos as pessoas que sinto um carinho real mesmo depois da minha saída e que sei, sentem o mesmo por mim. Em maio eu prestei um concurso de estágio para a RTV Unicamp e passei, foi a melhor coisa que me aconteceu em 2017 sem duvidas. Conheci pessoas novas que fazem bem para o meu dia a dia, aprendo coisas novas todos os dias, aperfeiçoo o que aprendo na faculdade com a liberdade que (felizmente) meu chefe me dá para criar e fazer coisas diferentes. Já contei que agora tenho um podcast? Nem preciso dizer muito, os risos que tenho quando edito os vlogs da VHS Series já entregam tudo.

2017 está acabando, mas é só o começo.

Gratidão.

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14/11/2017
por Douglas Vasquez
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QUINZE DIAS, 2017 | VITOR MARTINS | GLOBO ALT | 208 PÁGINAS | ISBN: 9788525063151 | ⭐⭐⭐⭐⭐


“Quinze Dias” é o romance de estreia do booktuber (e agora autor, né?) brasileiro, Vitor Martins e é o encontro perfeito de dois dos meus autores favoritos, Rainbow Rowell e David Levithan. É claro desde o início como o Vitor se preparou para escrever o romance, não apenas tendo uma grande bagagem de livros YA, o que é bastante perceptível na leitura do livro, o conhecimento em livros jovens adultos, mas também sinto que psicologicamente o autor se libertou de diversos paradigmas e colocou nas páginas da história de Felipe várias de suas inseguranças — algo que contribuiu muito para a riqueza da história e a empatia que sentimos com o protagonista no decorrer dos quinze dias.

“Eu sou gordo. Eu não sou “gordinho” ou “cheinho” ou “fofinho”. Eu sou pesado, ocupo espaço e as pessoas me olham torto na rua.”

O tempo delimitado por Vitor para contar a história é um dos pontos interessantes sobre seu livro. Como sugere o título do romance, todo o arco de Felipe acontece dentro de quinze dias, que o curto período de férias escolares que os personagens tem. A decisão de limitar a história a acontecer dentro dessas duas semanas foi uma das melhores decisões tomadas, pois dessa forma, todo o contexto se justifica e o livro se torna coeso, sem nada a mais e nem um pouco de encheção de linguiça.

Em “Quinze Dias”, publicado pela Globo Alt, Felipe é um garoto gordo que tem problemas de auto-estima e por isso, não tem amigos na escola, um ambiente que se assemelha a tortura para ele. Quando o primeiro dia dessas férias chega, Felipe tem plena convicção de que passará todo o tempo deitado em sua cama colocando os episódios de suas séries em dia, uma pausa de todo o tormento que vive no dia a dia, mas quando menos espera, sua mãe o conta que o filho da vizinha, Caio, ficará hospedado com eles até que seus pais voltem de férias. Acontece que Caio é o crush de Felipe desde sempre e a sua lista de inseguranças vem a tona e seus “dias de paz” parecem cada vez mais distantes.

“- Um dia você aprende a gostar mais de quem você é, e isso vai refletir em como as outras pessoas vão te enxergar. Gente babaca vai existir para sempre, mas a gente aprende a resistir.”

Os pontos altos da história são os personagens cativantes escritos por Vitor. Por conter poucos, Vitor teve a oportunidade de adicionar camadas em cada um deles, aprofundando em suas inseguranças e certezas, é impossível não sentir empatia e se relacionar com algum deles. A narrativa em primeira pessoa é também um enorme ponto positivo. Vitor encontrou a voz perfeita para Felipe, que apesar de tão inseguro, é um garoto super hiper mega engraçado e cheio de referências à cultua pop (um livro que tem um flamingo pink chamado Harry Styles ganha meu coração no mesmo instante), fez com que a leitura do livro fosse dinâmica e com que eu terminasse ele inteiro no mesmo dia.

Vitor soube abordar com clareza e profundidade diversos assuntos importantes presentes na nossa sociedade atual e grande parte do cotidiano de um jovem adolescente como Felipe e sua turma, como bullying, sexualidade e a descoberta de um mundo novo ao se tornar independente. Enquanto se adapta à convivência com Caio, Felipe aprende que é uma pessoa amada por sua família e amigos e quando o romance com Caio se desenvolve, Felipe também aprende que nem sempre a sua verdade é a verdade definitiva — por quê Caio não se apaixonaria por ele, afinal? A questão da sexualidade (Vitor é assumidíssimo para a mãe, enquanto Caio, não) é tocada de forma sutil e Vitor não faz dela uma grande coisa, apenas um detalhe natural na vida dos dois personagens.

“Não se apaixone por uma pessoa que não faça com que você se sinta lindo. Não to falando que o cara precisa te dizer o tempo todo que você é perfeito e maravilhoso. Não é isso. Mas quando você se sente lindo só de estar perto da pessoa, aí, filho, é muito mais fácil. […] Porque você está com uma pessoa que não aponta os seus defeitos. Não faz você se sentir pior. Não repara naquela estria na bunda que nem você tinha reparado até então. Porque essa pessoa enxerga a melhor parte de você. ”

Uma grande sacada de Vitor ao desenvolver o livro, foi a de descentralizar a narrativa de Felipe, mesmo que ele ainda seja o personagem principal da história. Nos momentos em que os dois passam com a mãe de Felipe, assistindo Hairspray ou nos momentos em que aparece a personagem fan favorite, Beca, a narrativa se torna ainda mais divertida e cheia de referências, como se Vitor estivesse se soltando também como autor. Felipe aprende que outras pessoas também sentem o mesmo que ele sente e que também passam por dilemas parecidos, cada mente é um universo gigantesco.

Vitor Martins não poderia ter estreado na literatura brasileira de melhor forma. “Quinze Dias” é caprichado e muito bem elaborado sem soar cansativo, unindo as melhores qualidades dos dois autores que mencionei lá em cima e utilizando-as a seu favor. Que venham mais livros de Vitor por aí, nossa literatura agradece. 

O mundo inteiro é seu. 

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28/09/2017
por Douglas Vasquez
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Dia desses na aula de História da Arte meu professor desatou a contar como a nossa sociedade é cíclica e desde então, isso não saiu da minha cabeça. Em vários momentos do meu cotidiano tenho notado o quanto, de fato, as coisas se repetem. E essas coisas variam bastante: desde a moda, conceitos políticos (estamos vivendo um tempo terrível onde o conservadorismo retorna once again), séries e filmes (tem exemplos mais fortes do que Stranger Things e a onda de remakes e revivals por todo lado?) e até mesmo na música, que é o tema principal desse post.

Em agosto eu escrevi um post sobre o retorno saudosista das fitas VHS e mesmo antes disso eu já tinha notado a estética do vídeo em fita em diversos videoclipes. Então, por que não aproveitar a onda e trazer os meus favoritos pra cá? Pegue os fones de ouvido, sente-se de forma confortável (ou pegue suas polainas pra dançar) e vem comigo!

Bonnie McKee – Thorns

De todas as cantoras atuais, acredito que Bonnie seja a que mais abraça a estética oitentista em suas produções audiovisuais. Em seu primeiro EP, “Bombastic”, a vibe veio com tudo em diferentes variações em todos os videoclipes produzidos para as faixas. A fotografia e a produção artística do clipe de “Easy”, minha música favorita da cantora, é impecável e apesar de não trazer o efeito do VHS, incorpora bastante da transição dos anos 70 e 80 em suas cores e figurino. Em seu novo trabalho, supostamente para o seu segundo disco (só acredito quando estiver com ele nas mãos, viu?), Bonnie resgata em “Thorns” a produção da época, da sonoridade da música à simplicidade das cenas no clipe. Além de tudo isso, Bonnie é um hino de hitmaker, vai ouvir!

Extended Edition: veja “Easy“, “Wasted Youth“, “I Want It All” e “Bombastic“.

MUNA – In My Way

Completamente gravado com o aplicativo Camcorder (que eu amo!), a banda queer que me pegou e me balançou de jeito neste ano também não dispensa o uso dos anos oitenta em suas produções. As três garotas da banda incorporam o estilo em suas canções, na maneira de se comportar no palco (já viram essas rosas incríveis?) e também na forma como se vestem. Os sintetizadores elétricos estão presentes nas músicas tanto quanto as jaquetas jeans estão em seus corpos, é uma banda pra ficar de olho no cenário musical, viu?

Collector’s Edition: não deixe de conferir toda a coletânea visual do disco, que traz as letras das músicas como legendas no vídeo, mas principalmente “Loudspeaker“, “End of Desire” e “Outro“.

Aly & AJ – Take Me

Na onda nostálgica dos revivals, a dupla Aly & AJ renasce das cinzas após uma longa década sem lançamentos musicais. Apesar da tentativa de contornarem as clausulas contratuais de sua antiga gravadora, quase lançando um disco folk com o nome 78Violet (que é bem interessante também), as loiras voltaram neste ano abraçando toda a sua história de sucesso no Disney Channel e lançaram o primeiro single do EP de retorno. “Take Me” é uma das melhores canções com a vibe oitentista que você írá ouvir em 2017 e o clipe, que foi totalmente gravado em uma câmera de 16mm, incorpora uma sátira vampírica. Tem algo mais trash que isso? Dá o play!

Charli XCX – Boys

Não existem palavras suficientes para descrever o clipe de “Boys”, da princesinha britânica Charli XCX. Se lá no “True Romance” ela já trazia nas músicas a sensação de inserção nos anos 80, neste novo single, Charli vai alguns anos à frente e incorpora algo mais noventista em sua sonoridade. Apesar de tudo, o clipe é recheado de colírios e o clipe também traz elementos estilizados na clássica fita VHS.

Fickle Friends – Hello Hello

Entre as descobertas deste ano está a banda Fickle Friends. A sonoridade do grupo é a mesma apresentada por quase todos neste post, mas a particularidade dos britânicos são as melodias upbeat que se misturam com letras que, nem sempre, compartilham do mesmo sentimento. O clipe de “Hello Hello” não tem a imagem tão deteriorada como consequência da referência ao VHS, mas em algumas transições de cena a estética se faz presente, assim como a decisão de gravar o clipe totalmente em tela 4:3.

Não levante a agulha do vinil antes de ouvir:Brooklyn“, “Cry Baby” e “Glue” – este último, também introduz elementos VHS entre diversas cores e letras no vídeo.

E claro, eu também entrei nessa onda! A cada mês tentarei trazer para o canal no Youtube um vídeo de compilado com os momentos (aleatórios?) do meu cotidiano e tudo isso… em VHS! O primeiro da série “VHS Tape” já está disponível e espero que vocês não enjoem de me ver comendo tanto doce.

 

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